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sábado, novembro 17, 2007

Editando uma revista - parte I

Depois que já discutimos sobre como criar um arquivo novo no Indesign CS3, vou dar algumas outras dicas de boa diagramação.

O tão falado termo gestalt significa de forma simples que deve-se procurar o arranjo visual mais natural aos olhos. Use e abuse de formas grandes contrabalançadas com formas pequenas, estabeleça critérios de alinhamento, entre outros. Saiba justificar o que você faz e de preferência com bons motivos e não terá problemas..

Aplicando um pouco de gestalt a uma página criada no Indesign.

Alguns elementos são cruciais na criação de revistas. É necessário definir quantas colunas cada página terá, qual o tamanho da fonte nos títulos, nos subtítulos, no texto das matérias, legendas; o que puder ser padronizado será útil posteriormente. Agiliza o trabalho e garante a unidade visual como um todo. A maioria das revistas não precisa inovar o design de cada página. Os anúncios fazem a vez para garantir variedade visual.

Pra começar, precisamos de um pouco de matemática. Para não alongar o post, não vou discutir aproveitamento de papel agora, deixo isso pra outra ocasião. O ponto de partida será o de 21x28. Uma revista leve e bonita (em geral será a sua opção, para a maioria das empresas...) se vale de grandes espaços brancos e texto arejado. Se você pressente que o seu caso será outro, adaptações são necessárias, por causa da densidade de conteúdo, mas procure privilegiar um bom espaço entre matérias.

21x28. Vamos trabalhar com um generoso espaço para as margens. 1,5cm. Isso por si só garante alguma fuga para olhos cansados. É também uma margem mais que segura para prevenir qualquer erro no corte das páginas.



Repare que isso nos deixa com 18x25cm de espaço para conteúdo. Use sempre um valor fixo de entrelinha (baseline grid), qualquer revista que se preze tem um grid muito bem pensado. Eu costumo fugir da metragem em pontos nesse caso e procuro algo mais palpável, em milímetros. 5mm um valor que uso muito, equivale a 14,2pt, por exemplo. É um espaço bem generoso para usar de grid. Uma letra de 10 ou 11 pontos, dependendo da lagibilidade, fica arejada com 14,2pt de entrelinha. Muito bom na maioria dos casos. E lhe permite (aqui vem a maior matemática) saber que você tem 36 divisões na largura e 50 linhas para texto (configure sua baseline para começar a exibir linhas a partir de 1,5cm, nossa margem ao topo.


Baseline grid é definido na janela de preferences. No mac fica na aba com o nome do programa, em pcs, na aba edit.

Agora podemos decidir quantas colunas queremos. Isso é parte matemática parte intuição. Cada caso pede uma análise. O que sabemos é que qualquer que seja a decisão, deve caber no grid que criamos: um número multiplo de 5mm para cada coluna e um espaço de 5mm entre cada coluna. Deixei pra fazer esta parte depois de criado o arquivo, por que você pode ir na página mestra e testar diversas opções que valerão para o arquivo todo, sem quebrar muito a cabeça antes de começar e podendo ver o resultado direto no arquivo.


Para definir suas colunas vá em Layout e Margins and columns.

Não deixe um espaço muito curto para a coluna de texto, fica muito chato ler linhas muito curtas (o ideal é 10-12 palavras por linha). Abaixo fiz três testes: o primeiro com três colunas. O segundo com 4 colunas (começou a ficar uma linha muito curta) e o terceiro teste foi com cinco colunas, usando duas para texto e uma para respiro e algum apoio visual que ultrapasse as margens (é legal romper grids com fotos recortadas, para dar dinamismo ao material, preveja isso também). Daria para tentar até mais, por exemplo sete, sendo uma de respiro e as outras seis com uma caixa de texto que ocupa duas colunas de cada vez. Cada caso é um caso. Encontre o que mais lhe agrada. Tente inclusive colunagem múltipla para cada seção da revista, por que não?



Respeitando essas regras, um boa gestalt será conseguida pelo alinhamento cuidadoso e respeito a esse grid invisível que desenvolvemos. Repare que com isso a chance do layout sair melhor é maior, pois está ancorado a decisões muito claras e sólidas.
Assim que possível continuo com mais dicas, quando vamos falar de estilos de texto.

domingo, novembro 11, 2007

Soluções gráficas rápidas (ou: como trabalhar em uma pastelaria)

Algumas dicas para quem tem um absurdo volume de trabalho e chefes um tanto quanto insanos:

1) construa o layout pensando de forma simples. Idéias de fácil execução não significam idéias pobres. Afinal, é você e não seu chefe quem vai ficar além do horário adaptando o layout para 15 formatos diferentes. Vale lembrar inclusive que simplicidade pode ser entendida também por ser uma prática de fácil desconstrução. Pense fácil criando layouts com blocos de elementos, que depois é simples rearranjar.

2) saiba bem o que você está fazendo. Não crie um efeito muito complexo no photoshop quem depois você vai demorar horas adaptando. Se sentir necessidade, até pode criar seu efeito, mas procure fazê lo da forma mais simples que conseguir, preservando um arquivo original, com todo o processo dessa montagem e um outro menor, com tudo que não for essencial, flatado. Use layers de ajuste sempre. Eles preservam sua imagem original enquanto você ainda pode alterá-la a vontade. Depois de tudo isso acabado, salve o original e guarde a sete chaves, o arquivo em que você vai mexer mais não será esse, mas um flatado. É mais leve, você não corre o risco de tirar algum elemento crucial do lugar (por exemplo, alguma camada de ajuste) e você ainda trabalhará mais rapidamente, inclusive por não precisar ficar se preocupando se todos os layers que precisam ficar juntos foram linkados.

3) se possível dentro do prazo, faça a arte já o mais próximo da arte final que conseguir. Afinal de contas é você quem vai acabar finalizando. Não faça uma montagem complexa no photoshop para depois refazer. Ou se chegou o momento de finalizar a primeira peça de uma campanha, faça a arte o maior possível, para que o trabalho posterior seja somente o de escalá-la para um tamanho menor.

Essas dicas valem para ambientes bem opressivos de trabalho. Não é o ideal. No mundo ideal há um departamento de finalização e prazos condizentes. Você pode fazer a arte em 150 dpi e depois acompanhar a finalização na refação do arquivo em alta. Se bem que até isso é questionável. Dependendo do tamanho da arte fazer em 300 dpis é uma excelente solução. Especialmente em uma época em que as máquinas estão mais e mais rápidas. Fazer o layout direto em 300dpis não é nenhum suplício na maioria dos casos. E procure facilitar sua vida: a dica maior é usar layers de ajuste para preservar as imagens originais e usar smart vectors no photoshop sempre que possível. Você vai se surpreender com quantas e quantas vezes esses simples recursos salvarão a sua pele!

terça-feira, outubro 02, 2007

Olhar fino para detalhes

Já disse que uma das principais qualidades do designer ou diretor de arte é a de saber ver o mundo e enxergar detalhes que ninguém mais vê. Quem trabalha muito com artes visuais tende a ser assim mesmo. Talvez por que se debruçam por muito tempo sobre uma tela branca, uma folha de papel ou monitor procurando a melhor maneira de comunicar alguma coisa visualmente. Em geral passa-se muito tempo observando detalhes de uma mesma foto, apreciando-se muitas vezes o mesmo desenho inacabado. Isso faz com que se treine o olho para detalhes muitas vezes mínimos.

Um bordão diz que “Deus está nos detalhes”. Na verdade tanto Deus quanto o Diabo estão nos mesmos detalhes. Tem uma hora em que o trabalho precisa sair e não adianta tratar mais a foto e procurar mais imperfeições no desenho. É fácil perder a noção do todo trabalhando uma pequena parte e acabar atrasando o resto.

Criando um novo arquivo no InDesign CS3

Vamos começar as dicas de processo de trabalho pelo básico do básico: a criação de um novo arquivo. Seja impresso ou online a primeira parte do trabalho de verter uma boa idéia para o computador envolve escolher um formato adequado para sua arte e começar a compor seu layout.

Uma dica simples e óbvia é montar seu arquivos mais ou menos da forma abaixo. Os exemplos usam o programa InDesign CS3:


1 – crie sua página no formato desejado. A título de exemplo, vamos trabalhar um arquivo em formato 21x28cm. Repare que logo aqui já escolhemos a margem, sangria, número de colunas e muitas outras coisas. Por enquanto vamos nos ater ao básico.


2 – Margens e sangria. Temos um arquivo de no formato desejado. Mas vazio. Determine primeiro qual será a margem de espaço “vazio” que será usada nas bordas da sua página. No caso, vamos usar o padrão normalmente usado na publicação de revistas: 1cm de cada lado. Isso resulta em 19x26cm de área útil para inserção de conteúdo.
A sangria é um excesso de imagem que vai além do limite da página, para evitar que quando a revista seja cortada sobre um teco branco em algum lado por que o papel não estava perfeitamente ajustado na pilha.
O que chamo de material crítico de uma página é seu conteúdo essencial. Trata-se do que não pode em hipótese alguma estar próximo da beira da página sob risco de sair cortado fora do layout. Em grande maioria se trata de: texto, logotipo e packshot.


3 – Linhas-guia: Divida o arquivo com linhas-guia, uma horizontal e outra vertical que marquem o meio da página. Isso te dá basicamente 4 quadrantes para dispor o seu conteúdo e facilita – e muito – o fluxo de trabalho. Torna realizar alinhamentos algo muito mais fácil.

Bom trabalho!

 
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